Temas que deveriam ser obrigatórios na escola: Uma reflexão para além do currículo tradicional

Alberto Tchiyanga Katchaca Tchindumbu Publicado em 17/06/2026 Ciências Sociais 48 acessos 10 downloads

Resumo

A escola é um espaço que promove a aquisição e desenvolvimento de conhecimentos, habilidades, hábitos através das variadíssimas disciplinas que compõem o plano curricular, com vista a preparar o homem para a vida, porém, a própria vida tem demostrado que das muitas matérias trabalhadas na escola, existem aquelas que podem ser consideradas fundamentais para que o próprio homem consiga dar respostas aos desafios da vida. Assim, o presente artigo propõe uma reflexão crítica sobre os temas que deveriam integrar de forma obrigatória o currículo escolar, ultrapassando os limites das disciplinas convencionais. Este estudo possui carácter qualitativo, bibliográfico, documental e reflexivo, e propõe áreas como educação patriótica, filosofia para crianças e jovens, primeiros socorros, orientação vocacional e profissional, educação financeira, resolução de conflitos e cultura de paz como componentes fundamentais para a construção do homem. A abordagem proposta parte de uma reflexão crítica combinada com a observação dos fenómenos, comportamentos do dia-a-dia, com foco no diálogo entre demandas sociais e formação escolar.

Palavras-chave:
Currículo Temas que deveriam ser obrigatórios na escola Formação integral. CV Topics that should be mandatory at school Comprehensive training.

Introdução

Comecemos a nossa reflexão partindo do facto histórico proposto por Piletti (2004): Por ocasião do tratado de Lancaster, na Pensilvânia (Estados Unidos), no ano de 1744, entre o governo da Virgínia e as seis nações indígenas, os representantes da Virgínia informaram aos índios que em Williamsburg havia um colégio dotado de fundos para educação de jovens índios e que, se os chefes das seis nações quisessem enviar meia dúzia de seus meninos, o governo se responsabilizaria para que eles fossem bem tratados e aprendessem todos os conhecimentos do homem branco. A essa oferta, o representante dos índios respondeu: “Apreciamos enormemente o tipo de educação que é dada nesses colégios e nos damos conta de que o cuidado de nossos jovens, durante sua permanência entre vocês, será custoso. Estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o bem para nós e agradecemos de todo coração. Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa ideia de educação não é a mesma que a nossa. …. Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam a vossa ciência. Mas, quando voltaram para nós, eles eram maus corredores, ignorante da vida da floresta e incapazes de suportar o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles ficaram totalmente inúteis. Não serviam como guerreiros, como caçadores ou como conselheiros. Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão oferecemos aos nobres senhores da Virgínia que nos enviem alguns de seus jovens que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos, deles, homens”. Este facto revela profundas reflexões sobre o sentido da educação, suas funções e seus limites culturais. Por isso, Piletti (2004) argumenta que cada país, cada sociedade tem realidades e valores diferentes e, consequentemente tem uma concepção diferente de educação. A escola, mais do que um espaço de reprodução de conteúdos clássicos, deve ser um lugar de preparação para a vida. Segundo Masschelein & Simons (s.d.), a escola é o tempo e o lugar onde temos um cuidado especial e interesse nas coisas, ou, em outras palavras, a escola focaliza a nossa atenção em algo. A escola infunde na nova geração uma atenção para com o mundo: as coisas começam a falar. No entanto, o que se ensina nem sempre responde aos desafios reais enfrentados pelos alunos dentro e fora da sala de aula. Este artigo busca reflectir sobre quais temas deveriam ser obrigatórios na escola, indo além do currículo tradicional. Os referidos temas dialogam com a formação de competências sócioemocionais, pensamento crítico e autonomia, ampliando o papel da escola para além da transmissão de conteúdos. Assim, mais do que oferecer a pura e simples oportunidade de frequentar uma escola, a manutenção do sistema exige de todos nós algumas relações de cunho axiomático (Santos, s.d.).